Londres lidera ranking dos maiores clusters tecnológicos

Londres lidera ranking dos maiores clusters tecnológicos

8 NOVEMBRO 2018
Londres lidera o ranking dos maiores "clusters" de tecnologia na região EMEA, de acordo com um estudo da consultora CBRE.

Neste estudo, a cidade do Porto faz parte dos "clusters" em crescimento, com o emprego no sector tecnológico a crescer a dois dígitos desde 2010 e com previsão de crescimento neste indicador nos próximos cinco anos.

O estudo "EMEA Tech Cities: Opportunities in Technology Hotspots", publicado recentemente, fornece informação a ocupantes e investidores, que lhes permite avaliar as características dos "clusters" tecnológicos em termos económicos, de arrendamento e de emprego a nível regional e municipal.

A análise identifica quatro categorias distintas de "clusters" de tecnologia na região EMEA, com base no nível, concentração e crescimento do emprego no sector tecnológico. Esta abordagem reflete o facto de os "clusters" de tecnologia serem muito diversos na sua estrutura, custos e atração para subsectores especializados de tecnologia.

O ranking liderado por Londres abrange capitais e centros financeiros com mais de 70 mil pessoas empregadas em tecnologia. A posição de destaque de Londres neste ranking diz respeito à capacidade da cidade para atrair jovens talentos da geração Millennial. As oportunidades de emprego no sector das tecnologias da informação e das comunicações (TIC) aumentou 20% desde 2008, com a proporção de emprego nas TIC a ser praticamente duas vezes e meia superior à média da União Europeia. Londres tem um forte mix de subsectores, sem que uma única atividade domine as oportunidades de emprego, refletindo a posição da cidade como um dos principais centros de tecnologia do mundo. “Não surpreendente que Londres lidere o ranking de tecnologia na região EMEA. As credenciais de tecnologia da cidade permitem que supere os seus pares, com grandes e pequenos ocupantes na área da tecnologia a expandirem-se e a tentarem garantir espaço na cidade”, comenta Kevin McCauley, diretor de London Research na CBRE.

Outras cidades que ocupam uma posição de destaque na mesma categoria incluem Dublin (3.ª), Budapeste (4.ª) e Bucareste (10.ª). Os fatores que tornam estas cidades atrativas também diferem. O sucesso de Dublin tem sido alavancado pela forte promoção do investimento do governo, particularmente para as empresas dos Estados Unidos, atraídas pela afinidade cultural e atratividade da cidade para jovens talentos de toda a Europa. Budapeste e Bucareste têm a vantagem do custo da mão-de-obra relativamente a outras cidades da Europa Ocidental, mas essa vantagem começou a desvanecer-se no sector de tecnologia à medida que as pessoas trabalham cada vez mais remotamente e as que fazem parte da economia GIG alinham os honorários com outras cidades da Europa Ocidental.

Duas outras categorias focam-se nas empresas médias, entre 20 a 70 mil funcionários, na área da tecnologia. A maioria das cidades com posições mais altas nessas categorias são locais bem estabelecidos em termos tecnológicos, como o Vale do Tamisa, Viena e Basileia.

O Porto faz parte dos "clusters" em crescimento, a par de Derby/Nottingham, Florença e Cracóvia. Há menos uniformidade nesta categoria do que nas restantes, com algumas cidades a crescerem para apoiar outros sectores, outras são destinos de baixo custo de mão-de-obra e algumas são cidades de segundo nível e centros de negócios regionais. Muitas cidades são consideradas “cool” para trabalhar por razões que dizem respeito ao estilo de vida.

Para Cristina Arouca, diretora de Research da CBRE Portugal, “estes 'clusters' em crescimento, dos quais faz parte a cidade do Porto, são talvez os mais interessantes, uma vez que demonstram a natureza flutuante do sector da tecnologia e a importância crítica do trabalho e das competências na evolução das cidades tecnológicas. As empresas que impulsionam estes 'clusters' geralmente não estão vinculadas a locais tradicionais ou a laços históricos com cidades ou países e o sector imobiliário não é a principal preocupação, mas na verdade um facilitador. A questão de onde é possível encontrar mão-de-obra na área da tecnologia está a condicionar as escolhas de muitas empresas, hoje em dia, e isso inclui alguns locais não tão óbvios, mas cada vez mais importantes, com credenciais fortes em termos de competências”.