Quem pode desafiar a Mercadona?

Quem pode desafiar a Mercadona?

24 JULHO 2018
Quem pode desafiar a Mercadona? Ninguém, responde a LZ Retailytics. Espanha encontra-se numa posição nada usual, ao se posicionar como um dos mercados de retalho mais fragmentados da Europa Ocidental e, simultaneamente, ao possuir um líder de mercado mais que dominante, precisamente, a Mercadona. Com uma quota de mercado de 23%, equivale à soma das quotas dos quatro maiores operadores de retalho seguintes. De acordo com a LZ Retailytics, este domínio é típico de mercados consolidados como o sueco e holandês.

A consultora caracteriza a cadeia valenciana como uma máquina bem oleada e considera que será capaz de manter o seu ciclo de elevados volumes de compras, eficiência operacional e conquista de quota de mercado, com prejuízo para os outros operadores. As suas previsões apontam que a Mercadona cresça cerca de 3,9% ao ano nos próximos cinco anos, acima da média do mercado. “A Mercadona não só será capaz de continuar focada dos preços, como está disposta a sacrificar a sua rentabilidade para implementar um massivo plano de investimento no valor de 1,5 mil milhões de euros em 2018”, diz a análise. “Este plano contempla a remodelação de lojas, uma melhor proposta de frescos e um sério compromisso com o comércio eletrónico. Definitivamente, o frenesim de gasto de capital por parte da Mercadona parece ecoar as ambições de outrora dos operadores de discount Lidl e Aldi para o mercado espanhol. Por mais que estes queiram, com apenas 4,3% e 1,4% de quota de mercado, respetivamente, em 2018, nenhum representa atualmente uma ameaça genuína para a líder”.

Para os outros operadores, contudo, a evolução do discount juntamente com o desenvolvimento do e-commerce, a abundância de pontos de venda e as melhorias de conceito na Mercadona representarão um desafio. Neste contexto, defende a LZ Retailytics, a consolidação do mercado será inevitável. Além disso, para não perder ainda mais terreno para a Mercadona, poderá equacionar-se uma aliança de compras entre os principais operadores de retalho, à semelhança do que tem vindo a acontecer em França, mas as oportunidades são limitadas. A Auchan já é aliada da Euromadi, a Eroski terminou a sua colaboração com a Dia, que, contudo, não descarta outras possíveis parcerias.

A análise sublinha que a Mercadona ainda tem espaço para crescer em Espanha, mas a sua eminente expansão para Portugal parece sugerir que está a antecipar-se ao estreitamento mercado espanhol. “Quando este se tornar demasiado exíguo, há questões que carecem de resposta. Por exemplo, irá a Mercadona caminhar no sentido de uma ‘premiumização’ do sortido e ‘nadar nas mesmas águas’ que os discounters? Ou, talvez, introduzir um novo formato que lhe permita expandir-se para zonas menos populosas e que são hoje dominadas pelos operadores regionais? Em qualquer caso, se a Mercadona atingir o limite, dificilmente será boas notícias para a concorrência”, conclui a análise.