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O novo consumidor é vegan

O novo consumidor é vegan

19 JUNHO 2018
O veganismo, que em termos dietéticos significa dispensar produtos derivados de animais totalmente – parcialmente, no caso dos vegetarianos –, está definido como uma das principais tendências para 2018. De facto, cada vez mais se pode dizer que o veganismo se tornou “mainstream”, à medida que mais restaurantes e supermercados se dedicam a atender às necessidades de uma dieta baseada em plantas. Longe vão os dias em que quem abdicava da carne encontrava escolhas de refeições prontas limitadas. Hoje, vegans, vegetarianos e curiosos podem facilmente encontrar alternativas para gelados, pizzas, bebidas e até fast food.

Um estudo recente, realizado pela Nielsen para a Plant Based Foods Association (PBFA) e o The Good Food Institute, revela que o mercado norte-americano de alimentos à base de produtos vegetais acaba de superar os 2,57 mil milhões de euros em vendas. Além disso, as vendas destes alimentos experimentaram um crescimento de 8,1% desde o ano anterior.

Francisco Reis, CEO do Grupo Equanto, acredita que irá haver cada vez mais uma preocupação e, a certa altura, a necessidade de alterar os hábitos alimentares com o incremento de alimentos à base de plantas. “O aumento da população e o desafio da produção alimentar global, a influência da agropecuária nas alterações climáticas, os benefícios reconhecidos de uma alimentação que privilegia o consumo de vegetais, frutas e leguminosas ou mesmo a preocupação com o bem-estar animal são factos que nos levam a acreditar que o futuro está nos alimentos à base de plantas”.

Espera-se que as alternativas lácteas de base vegetal representem 40% do total combinado de lacticínios e bebidas alternativas lácteas até 2020, quase duplicando os 25% de 2016, de acordo com a Packaged Facts. A empresa de estudos de mercado prevê novos tipos de leites vegetais para encontrar audiências mais amplas, em 2018, incluindo de cevada, cânhamo, ervilha, linho e quinoa.

No período entre 2010 e 2015, só as vendas de leite de amêndoa cresceram 250%, para mais de 740,62 milhões de euros, segundo a Nielsen. Durante o mesmo período, indica a consultora, o mercado total de leite encolheu mais de 830 mil euros. Em 2015, as vendas de leite de amêndoa cresceram 7,8%, enquanto as de leite de origem animal caíram 7%. Isto segue o padrão estabelecido em 2012 e 2013, quando as vendas de leite de amêndoa cresceram 59,8% e 50%, respetivamente, enquanto as de leite normal diminuíram 0,7% e 1,7%, respetivamente.

O Market Watch da Mintel informa que a Dean Foods, a maior fornecedora de leite norte-americana, divulgou um lucro líquido de apenas 1,16 milhões de euros, no terceiro trimestre de 2017, abaixo dos 12 milhões de euros do mesmo período do ano anterior. Esta tendência de queda não se limita apenas aos Estados Unidos da América: a maior fornecedora de lacticínios da Austrália, a Murray Goulburn, anunciou uma queda de 22% nas vendas de leite no ano fiscal passado. Enquanto isso, a Elmhurst, um dos mais antigos produtores de lacticínios da costa leste norte-americana, decidiu, em 2017, depois de 92 anos, passar a produzir apenas leite à base de plantas.

O queijo vegan também está a descolar, com um mercado global que deve atingir quase 3,31 mil milhões de euros até 2024, crescendo a uma taxa de crescimento anual composta de 7,6%, entre 2016 e 2024, de acordo com um relatório da Bharat Book. O queijo vegan é feito completamente à base de plantas e é produzido com leite de amêndoa, leite de soja, leite de arroz ou de outras fontes, como leite de coco ou leite de amendoim.

A indústria dos ovos também começou a sentir o aperto. As ações da Cal-Maine Foods, uma produtora de ovos presente, desde 1969, em Jackson, no Mississippi, caíram 7% em julho de 2017, registando a primeira perda anual da empresa em mais de 10 anos. O CEO da Cal-Maine Foods, Adolphus Baker, culpou a crescente popularidade das alternativas aos ovos.

Por sua vez, as vendas de proteína de origem vegetal aumentaram 6% em relação ao ano anterior, de acordo com os dados da Nielsen. Espera-se que o mercado global de substitutos de carne consiga uma receita de 4,3 mil milhões de euros até 2020, registando uma taxa de crescimento anual composta de 8,4%, entre 2015 e 2020, segundo a Allied Market Research. A ervilha, por exemplo, está a revolucionar o sector da produção, já que as receitas globais de proteína de ervilha são estimadas em 86,10 milhões de euros até 2026, indica a Future Market Insights. Os dados da Bharat Book reforçam esta tendência, sustentando que o mercado global de proteínas à base em plantas deverá ultrapassar os 8,28 mil milhões de euros, até 2022, crescendo 6,7% durante o período de 2017 a 2022.

Desistir da carne
70% da população mundial está a abandonar a carne, reduzindo a sua ingestão ou evitando-a completamente, em favor da proteína vegetal. À medida que os consumidores procuram uma alimentação mais saudável e com menor impacto no planeta, produtos como proteína de ervilha em pó, hambúrgueres à base de vegetais, queijo à base de nozes, miolo de jaca desfiado e chouriço de soja estão a aparecer nos menus dos restaurantes e nas lojas.

Em 2016, a região Ásia-Pacífico detinha a maior parcela de consumidores vegan a nível mundial, com aproximadamente 9% das pessoas a seguir uma dieta deste tipo. De acordo com um relatório da Statista, a China será o mercado onde os produtos vegan irão crescer mais rapidamente, entre 2015 e 2020, com uma taxa de crescimento de 17,2%, seguida pelos Emirados Árabes Unidos e pela Austrália.

Nos Estados Unidos da América, uma pesquisa conduzida pelo California Walnut Board, em abril, apurou que 83% dos norte-americanos estão dispostos a fazer refeições sem carne, usando nozes, legumes, feijões, ervilhas e lentilhas em vez produtos de origem animal. Já no Reino Unido, de acordo com a The Vegan Society, o número de pessoas que se consideram vegan cresceu de 150 mil, em 2006, para mais de 542 mil, em 2016. Isto significa um crescimento acima de 360%. 20% dos britânicos com menos de 35 anos já fizeram uma dieta vegan, o que sugere um aumento desta tendência de consumo à medida que as gerações mais jovens adotam esta opção de estilo de vida.

Por sua vez, um estudo da Mintel descobriu que 28% dos britânicos reduziram drasticamente o consumo de carne no período de seis meses concluído em março de 2017. O estudo também apurou que 54% das pessoas citavam o bem-estar animal como a principal razão, destacando-se os aspetos ambientais como os mais importantes para aqueles com menos de 25 anos de idade. 50% dos britânicos experimentaram produtos sem carne dentro do período do estudo.

Portugal
Em Portugal, mais de quatro em cada 10 consumidores consideram a alimentação vegetariana nutritiva, segundo um estudo do Centro Vegetariano, realizado em setembro 2017 pela Nielsen, com o objetivo de analisar a perceção dos portugueses acerca desta opção de consumo. Quando questionados acerca do valor nutricional de uma alimentação com base vegetal, 42% dos portugueses concordam que fornece todos os nutrientes essenciais à saúde. Dos inquiridos, 39% indicou ainda conhecer pelo menos uma pessoa que segue uma alimentação exclusivamente vegetal. “A procura por este tipo de produtos tem vindo a aumentar significativamente e isso pode ser visível com a abertura de novos espaços vegetarianos e vegan pelas grandes cidades portuguesas”, afirma Tânia Santos, responsável de marketing e publicidade da Ever Vegan. “Novos serviços de catering focados numa alimentação à base de plantas, cafés com componentes no foro da ética praticada, saúde e sustentabilidade. De acordo com um estudo da Nielsen, 40% dos inquiridos encontram-se a tentar implementar mais refeições vegetarianas na sua dieta. Esta tendência verifica-se por todos os países no mundo”.

O Centro Vegetariano, através de um outro estudo realizado pela Nielsen, concluiu que o número de vegetarianos quadruplicou em 10 anos, com 1,2% dos portugueses a não consumirem carne nem peixe em 2017. 10 anos antes, apenas 0,3% da população portuguesa se encontrava nesta categoria. Os resultados também sugerem que, apesar de 95% dos portugueses manterem carne, peixe, lacticínios e ovos na sua alimentação, o consumo frequente de carne e peixe parece ter reduzido, ainda que ligeiramente, na última década, o que indica uma tendência de consumo mais ocasional. Também foi possível concluir que 0,6% da população segue a alimentação vegan. Este número representa o dobro do número de vegetarianos aquando do estudo de 2007. Para todas as categorias de produtos de origem animal, as mulheres e os jovens entre os 25 e os 34 anos são os que têm maior percentagem de não consumo.

Rótulo vegan
O veganismo tornou-se bastante popular entre os Millennials. De acordo com a Statista, mais de um quarto dos norte-americanos desta geração consideram o rótulo vegan como um fator importante para a compra de produtos alimentares. No início deste ano, um estudo compilado pela Technavio identificou os Millennials como a força motriz por detrás do lançamento de novos alimentos vegan embalados, com previsão de continuarem a crescer 11% ao ano até 2020. “Se, por um lado, temos aqueles que alteraram, em definitivo, a sua alimentação, passando a consumir apenas refeições vegetarianas, por outro, temos um outro grupo de consumidores que, sempre que pode, opta por opções alimentares mais saudáveis e que têm por base os vegetais, as leguminosas e os frutos secos”, confirma Miriam Bdeir, Marketing Manager da Sun&Vegs. “A preocupação com a alimentação é uma tendência, mas não passageira. Assistimos, hoje, no mundo ocidental, a uma crescente mudança nos hábitos alimentares, com o bem-estar e com a saúde, e que veio para ficar”.

Uma nova pesquisa conduzida pelo Barclays no Reino Unido descobriu que os estudantes universitários de hoje, a chamada Geração Z, têm uma maior probabilidade de consumir alimentos baseados em vegetais. Quando comparado com a Geração X, as pessoas nascidas desde meados dos anos 1960 até o final dos anos 1970, o relatório identificou que a Geração Z está a consumir 266% mais abacates, 667% mais óleo de coco, 166% mais quinoa, 189% mais batata-doce e 550% mais leite de origem vegetal. A Geração Z também fuma 43% menos, consome 26% menos café e bebe 33% menos álcool do que as contrapartes mais velhas. “Os hábitos de consumo têm vindo a ser alterados ao longo dos anos, com as pessoas a introduzirem na sua alimentação outros produtos com um perfil mais saudável. O perfil exato dos consumidores vegan são jovens adultos com preocupações vincadas pelo respeito e direito à vida e pela saúde em geral. O mercado de produtos vegan tem vindo a beneficiar de um crescimento, dado que não é apenas consumido por pessoas vegetarianas, mas também por quem procura uma alimentação mais diversificada, de mão dada com o saudável”, explica Francisco Reis. 

Oportunidade de mercado
Dado isto, não é surpreendente que as grandes empresas estejam a começar a identificar oportunidades para novos produtos quetirem partido da crescente procura de comida e bebida vegan. De facto, os grandes grupos agroalimentares multiplicam as suas iniciativas no fabrico de produtos que respondam a esta tendência.

O grupo Equanto, através da marca Origens Bio, lançou no mercado uma linha de pequenos-almoços instantâneos. Todos os produtos são 100% naturais, vegan, sem glúten e de origem biológica. E, através da marca Veggis, tem vindo a apresentar produtos puramente vegetarianos, tais como croquetes de vegetais, empadas de soja e rissóis de espinafres.

Já a marca Sun&Vegs lançou a gama de saladas Fresco&Frasco, uma mistura de legumes frescos com quinoa, arroz, um toque de super alimentos e molho. A referência Quente&Boa contempla receitas prontas em quatro minutos, com legumes e uma base de arroz, massa ou noodles, e a opção Nood&Cru é um acompanhamento.

Outra marca especializada em produtos 100% vegetais, biológicos, sem óleo de palma e com uma componente ética é a EverVegan. Esta empresa representa atualmente sete marcas de produtos vegan que estão ou irão estar no mercado, com propostas como quinoas orgânicas, massas pré-feitas biológicas, patés, molhos e maioneses biológicas, substitutos de carne e de ovos, produtos à base de coco e o famoso substituo de carne, a jaca.

Mas o potencial deste mercado é aproveitado também pelas empresas mais tradicionalmente associadas à carne e grandes multinacionais. Veja-se a Nobre, que lançou no mercado português a gama Nobre Vegalia, com o selo V-Label da European Vegetarian Union (EVU). A gama inclui três fatiados elaborados à base de clara de ovo e sem glúten, lactose, soja ou corantes, e duas especialidades vegetarianas, disponíveis nas variedades de soja e tofu, que não têm corantes, conservantes, glúten nem lactose e são ideais para quem pratica um regime ovolactovegetariano. “Sabemos que, por diversos motivos, os portugueses cada vez mais procuram novas alternativas de consumo. Não são apenas as pessoas intolerantes ao glúten que compram os produtos isentos, nem tão pouco são os vegetarianos os únicos a fazer refeições sem carne. Por isso, podemos dizer que a charcutaria vegan pode ser uma tendência de futuro e, como todas as tendências, é algo que estudamos e analisamos ao pormenor”, afirma Lia Oliveira, diretora de marketing da Nobre Alimentação.

A Unilever anunciou também a comercialização dos gelados Cornetto Vegan, feitos com leite de soja, chocolate vegan e com uma bolacha isenta de glúten. Já chegaram a Portugal, após o sucesso obtido noutros países da Europa e da petição da Associação Vegetariana Portuguesa, realizada em 2017.

Outras marcas de gelado têm igualmente abordado a crescente procura por alternativas vegan. A Ben & Jerry's revelou três novos sabores feitos a partir de uma base de leite de amêndoa, que já chegaram aos supermercados britânicos. Também a marca Häagen-Dazs inclui gelados preparados com leite de soja, que, para já, só se encontram disponíveis nas lojas Target, nos Estados Unidos da América. Ao todo, a marca oferece seis sabores vegan.

Não nos esqueçamos da Danone, que comprou a norte-americana WhiteWave Foods, proprietária da marca especialista Alpro, por mais de 11 mil milhões de euros. Além disso, fez um investimento de 49,67 milhões de euros na fábrica de bebidas vegetais em Mount Crawford, nos Estados Unidos da América, com o objetivo de adicionar capacidade de produção e expandir o armazém. Ou ainda da suíça Nestlé, que se distanciou do mundo da carne ao lançar, sob a sua marca Herta, mais conhecida pelos seus produtos à base de porco, a gama Le Bon Végétal. Ao mesmo tempo, a sua filial norte-americana anunciou a aquisição da Sweet Earth, especializada em alimentos à base de plantas, o que possibilitou à Nestlé uma entrada imediata no segmento.

Por seu turno, a Coca-Cola lançou a marca Ades no Reino Unido e em Espanha. Trata-se de uma nova linha de smoothies com uma base de leites vegetais e disponível em três sabores: Manga/Maracujá, Coco/Bagas e Banana/Morango. A Ades foi comprada pela Coca-Cola à Unilever em 2016.

Comprar vegan
O retalho também tem as suas iniciativas para acompanhar a tendência. A Coop Suíça, por exemplo, inaugurou o supermercado Karma, inteiramente dedicado aos produtos vegan e vegetarianos. O conceito, que abriu em Zug, oferece produtos frescos, cosmética vegan e vegetariana, bebidas preparadas na hora, frutos secos e cereais e uma gama de produtos de conveniência. Pretende responder à forte procura por produtos vegan e saudáveis, já que um terço da oferta do supermercado Karma são produtos orgânicos. A maioria, como a quinoa, muesli e frutos secos, é vendida a granel, o que permite responder à questão do desperdício alimentar. A loja também tem uma cafetaria com lugares sentados.

A maioria dos grandes retalhistas dedica-se a lançar gamas especializadas para responder às exigências dos consumidores. “O mercado ainda é considerado um nicho, pois ainda não se verifica uma quantidade considerável de consumidores vegan e vegetarianos para encher um supermercado. Uma boa parte dos produtos em supermercados são adequados a consumidores vegan (feijão, grão, bolachas, entre muitos outros), mas a maioria do público vegan e vegetariano tem que se adaptar aos produtos existentes, o que pode levar a uma maior dificuldade na escolha deste estilo de vida. Porém, com o aumento da procura, também surge a demanda e diversas empresas começam a apostar em opções 100% vegetais dos seus produtos para colmatar esta procura”, assenta Tânia Santos. “Os portugueses consomem produtos vegan. Existe uma procura por produtos vegan, ao mesmo tempo, acessíveis, tanto em Portugal como no estrangeiro. O serviço de entregas Just Eat, presente em diversos países com uma base de dados de 20 milhões de utilizadores, indica que a procura por opções vegetarianas aumentou 987% só em 2017”.

Um dos mercados mais evoluídos é o francês onde, em 2015, o Carrefour lançou uma marca própria chamada Veggie, que contava com 16 produtos, dos quais 11 eram vegan. A Monoprix, por seu turno, abriu quatro pequenas lojas Naturalia, em Paris, cujos produtos são certificados como 100% vegan. De acordo com a empresa de estudos de mercado Xerfi, o mercado vegan francês representa apenas 200 mil pessoas, ou seja, 0,4% dos consumidores. São mais consumidores que na Alemanha e menos que no Reino Unido, de acordo com a consultora Keller & Heckman. Em França, a Xerfi indica o potencial de crescimento das vendas nas grandes e médias superfícies de pratos preparados vegetarianos e vegan, que estima em 25% até 2020, acima dos 5% perspetivados para o sector das bebidas vegetais.

O alemão Aldi apostou também na sua própria linha de produtos vegetarianos e vegan, a Earth Grown. Esta aposta segue-se ao algum sucesso que a insígnia já obteve com produtos vegan nas suas lojas. A nova linha inclui cachorros-quentes, almôndegas, alguns hambúrgueres mais tradicionais e queijos. Tudo sem ser de origem animal.

No Reino Unido, os dois maiores retalhistas, a Tesco e a Sainsbury's, lançaram gamas vegan de marca própria, depois de terem visto a procura por refeições vegetarianas refrigeradas e as alternativas à carne crescerem 25%. A nova gama da Tesco, The Wicked Kitchen, inclui 20 produtos que estão disponíveis em 600 lojas no Reino Unido. Foi desenvolvida pelo chef norte-americano Derek Sarno, cofundador da marca vegetariana Wicked Healthy e diretor de inovação baseada em plantas da Tesco. A gama inclui uma mistura de refeições prontas para preparar no microondas à base de vegetais, sanduíches e wraps, assim como três opções de saladas.

Já a Sainsbury's apostou nos consumidores flexitarianos, com o lançamento de uma gama composta por sete produtos, incluindo a jaca, uma fruta tropical com sabor neutro e textura que pode ser desfiada, picada ou partida em pedaços, e salsichas à base de cogumelos "feios" que, de outra forma, seriam desperdiçados. De igual modo, lançou três novos sabores de gelado vegan. Estas sobremesas fazem parte da gama Deliciously Free From, que se concentra em ser inclusiva de todas as diferentes dietas, mantendo os produtos livres de trigo, glúten, soja, ovo e leite.

Ainda no Reino Unido, a Asda lançou uma nova gama de opções de almoço vegan “on-the-go” e foi a primeira cadeia de supermercados a ter "mince pies" vegan. Estes pastéis são habitualmente feitos com carne picada e são consumidos na altura do Natal e do Ano Novo.

Em Portugal, as opções vegan são também mais diversificadas. Se os britânicos não passam sem as suas “mince pies”, os portugueses não abdicam do bolo-rei no Natal. E este também já se encontra numa versão vegan. Em 2017, os supermercados Go Natural disponibilizaram uma alternativa desta especialidade natalícia. Ao contrário da versão tradicional, esta era 100% biológica e deixava de lado o leite de origem animal, os ovos e o açúcar refinado. O óleo de coco e a farinha de espelta substituíam a farinha de trigo neste bolo rei.

Já no início deste ano, o Lidl lançou no mercado português duas pizzas vegan da marca própria Trattoria Alfredo, nas variedades Verdura e a Bruschetta. “Sendo um nicho de mercado, é um segmento que está em crescimento, com uma oferta de produtos cada vez mais diversificada que tem atraído cada vez mais consumidores. Se até há bem pouco tempo os termos veganismo, orgânico e integral causavam estranheza, hoje em dia, alimentos com estas características estão presente na alimentação dos portugueses, assim como em muitos corredores dos supermercados e hipermercados”, afiança o CEO do Grupo Equanto.

Esta tendência invade também a restauração. Após um período de testes de dois meses, no restaurante de Tampere, na Finlândia, a McDonald’s decidiu incluir o McVegan em todos os seus restaurantes na Finlândia e Suécia. O McVegan é composto, segundo a cadeia, por um hambúrguer de soja 100% vegetal, molho Vegan McFeast Sauce, tomates frescos, salada e pickles.

O consumo de produtos vegetarianos e vegan deverá continuar a crescer nos próximos anos, com o aparecimento de cada vez mais ofertas inovadoras. Segundo a Associação Vegetariana Portuguesa, o número de vegan e vegetarianos aumentou exponencialmente. Há 10 anos, os números davam conta da existência de 30 mil vegetarianos, atualmente, existem 120 mil, dos quais 60 mil são vegan. “Portanto, acreditamos que investir em linhas de produtos vegan é uma ótima estratégia para aumentar a abrangência do nosso negócio e dando alternativas de mercado às cada vez mais pessoas que procuram este tipo de alimentação”, defende Francisco Reis. Tânia Santos concorda que a previsão de evolução será positiva. “Prevemos que o crescimento se mantenha, não só com o público que já adota uma alimentação vegetariana, mas também com o restante público que se encontra cada vez mais curioso e interessado numa alimentação saudável e variada. Várias empresas, indivíduos e meios de comunicação que divulgam próximas tendências mencionam o veganismo como a tendência a seguir em 2018”.

Este artigo foi publicado na edição n.º 50 da Grande Consumo.