Revolução completa no Carrefour

Revolução completa no Carrefour

24 JANEIRO 2018
É uma revolução completa no Carrefour. Alexandre Bompard, o sucessor de Georges Plassat na liderança do grupo retalhista francês, apresentou o plano de transformação denominado Carrefour 2022. Menos 2.400 postos de trabalho em França, o desenvolvimento de novas parcerias, nomeadamente com a Tencent na China, a redução de 10% do sortido e investimentos na melhoria da competitividade ao nível dos preços são alguns dos eixos estratégicos.

O plano contempla ainda medidas para a concentração das compras, o reforço da aposta no omnicanal e nos formatos de proximidade, assim como uma ambiciosa política de frescos e aquilo que o gestor designou de “transição alimentar”. “Tenho grandes ambições para o Carrefour: tornar-se líder mundial da transição alimentar, ao oferecer aos clientes, todos os dias e em todo o lado, uma alimentação de qualidade, fiável e a um preço razoável. Para alcançar este objetivo e regressar a uma dinâmica vitoriosa, devemos reformular o nosso modelo, simplificando a nossa organização e abrindo as portas às parcerias, melhorar a nossa eficácia operacional, investir nos nossos formatos de conquista, construir um modelo omnicanal bem sucedido e desenvolver a nossa oferta de produtos frescos e biológicos, nomeadamente com a marca Carrefour”, declarou Alexandre Bompard.

O plano Carrefour 2022 assenta em quatro pilares fundamentais: o desenvolvimento de uma organização simplificada e aberta, ganhos de produtividade e competitividade, a criação de um universo omnicanal de referência e o reposicionamento da oferta ao serviço da qualidade alimentar.

Ao nível da simplificação da operação, esta passará pela redução das redundâncias e complexidades administrativas no seio das sedes do grupo. Sem detalhar o que acontecerá nos mercados internacionais onde está presente, sabe-se para já que em França algumas serão encerradas. Esta racionalização terá impacto no emprego, com a supressão de 2.400 postos de trabalho em território gaulês, o que equivale a um quarto dos recursos humanos. O Carrefour precisa que este plano será assente em saídas voluntárias.

O grupo também deseja estabelecer novas parcerias, de forma a aproveitar as inovações e as melhores práticas e “beneficiar da experiência de startups inovadoras e do poder dos líderes sectoriais”, à semelhança do acordo estabelecido com a Fnac Darty na eletrónica de consumo e com a Showroomprivé nas vendas privadas online. Alexandre Bompard aproveitou, assim, para anunciar uma nova parceria com o objetivo de reforçar a posição do Carrefour na China. “A potencial aquisição de uma participação no Carrefour China por parte da Tencent, líder mundial em tecnologia, e a parceria com a Yonghui, distribuidor especializado em frescos e pequenos formatos no mercado chinês, abre grandes oportunidades para o Carrefour no país, nomeadamente no e-commerce alimentar”.

O Carrefour vai também reduzir em 10% o seu sortido e passar a negociar a nível internacional. Com estas medidas, pretende economizar dois mil milhões de euros até ao final de 2020. Os custos logísticos serão também revistos para uma maior focalização na eficácia operacional da cadeia de abastecimento.

O plano anunciado contempla ainda desfazer-se de 273 lojas compradas à DIA em 2014. Em caso de ausência de interessados na compra, as lojas serão fechadas.

Ao nível do investimento, o Carrefour prevê direcionar dois mil milhões de euros ao ano, a partir de 2018, para a manutenção dos seus ativos e suportar as suas ambições de transformação. Concretamente, o grupo pretende aumentar significativamente os investimentos em TI e na cadeia de abastecimento orientada para a criação de uma oferta omnicanal no alimentar, através da automatização das plataformas de preparação de encomendas.

Em matéria de estratégia imobiliária, nos próximos três anos, o Carrefour vai desprender-se de 500 milhões de euros em ativos não estratégicos. “Esta rigorosa disciplina de controlo de custos e alocação de recursos tem por objetivo libertar margem para reinvestir na competitividade comercial, um eixo prioritário para o grupo”, detalhou Alexandre Bompard. O desenvolvimento das marcas próprias será fundamental para a atratividade dos preços.

Quanto aos planos para os seus hipermercados, cujos detalhes eram muito aguardados em França, assentarão sobretudo na melhoria da eficácia do formato. O Carrefour vai assim adaptar as superfícies dos hipers às zonas de influência e, caso seja necessário, esta será reduzida. Paralelamente, o grupo vai procurar alianças ao nível da compra e venda para melhorar a oferta não alimentar, quando esta não for pertinente. O Carrefour pretende ainda reforçar a eficácia operacional das lojas, adaptando-as às melhores práticas de gestão de fluxo, de stocks e promoções. Não estão previstos encerramentos de hipermercados em França.

Em contrapartida, a aposta do retalhista francês recairá no formato de supermercado e proximidade. Serão abertas, pelo menos, duas mil lojas de proximidade nos próximos cinco anos, com um forte investimento nas grandes cidades europeias. “Cada um destes formatos participará ativamente no desenvolvimento do universo omnicanal do grupo, como centro de preparação ou entrega, ponto de recolha ou de devolução para os clientes”. Uma das ambições do Carrefour é ser um ator incontornável no e-commerce alimentar, ao alcançar vendas de cinco mil milhões de euros e uma quota de mercado superior a 20% em França até 2022.

O Carrefour também deseja acelerar o desenvolvimento do formato cash & carry. Nesse sentido, a partir de 2018, irão abrir 20 lojas Atacadão por ano no Brasil. Na Argentina, o grupo investirá na insígnia Maxi, com a conversão de 16 hipermercados. A declinação deste formato na Europa será conseguida com a aceleração do desenvolvimento da Promocash em França e da experimentação noutros países.

Ao nível da oferta, o Carrefour vai apostar fortemente nos frescos, pelo que irá lançar um plano de valorização dos produtos locais. “O Carrefour posiciona-se como líder da democratização do biológico e deseja passar de um volume de negócios de 1,3 mil milhões de euros para cinco mil milhões de euros em 2022”, reiterou Alexandre Bompard. Nas lojas, irão aparecer mais zonas dedicadas a estes produtos e a oferta será ampliada. “O grupo irá reforçar igualmente a oferta biológica disponível online, ao acelerar o desenvolvimento da sua insígnia especializada Greenweez”.

Os produtos da marca Carrefour desempenharão um papel chave na ambição do grupo em matéria de qualidade alimentar, através do alargamento da gama e da maior atratividade dos seus preços. Até 2020, o grupo reduzirá em 5% as embalagens de produtos de marca.