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Sonae e Jerónimo Martins sobem várias posições no ranking dos maiores retalhistas do mundo

17 JANEIRO 2018
A presença europeia volta a cair no ranking deste ano dos maiores retalhistas mundiais. Em contrapartida, as portuguesas Jerónimo Martins e a Sonae registaram uma evolução significativa da sua posição no ranking.

A Jerónimo Martins é hoje o 56.º maior retalhista mundial (64.º na edição anterior), a sua melhor posição de sempre, fruto de um crescimento de cerca de 6,5% no seu volume de negócios, para o qual contribuíram todas as geografias e insígnias do grupo. Já a Sonae ascendeu ao 167.º lugar (175.º na edição anterior), tendo os proveitos gerados pelo negócio de retalho ultrapassado, pela primeira vez, a fasquia dos cinco mil milhões de euros. Face ao ano anterior, as vendas cresceram mais de 12%, fruto de crescimento orgânico e de aquisições como a Salsa e o Go Natural. “A subida de oito lugares no ranking por parte de ambas as empresas é um marco assinável, sobretudo por ocorrer num ano (2016) em que o euro se manteve relativamente estável face ao dólar norte-americano”, afirma Pedro Miguel Silva, sócio da indústria de retalho e bens de consumo da Deloitte, a consultora responsável pelo estudo.

Com 82 empresas no top 250 dos Global Powers of Retailing (85 no ano fiscal de 2015, 93 em 2014), a Europa está a aumentar a distância face à liderança da América do Norte. Ainda assim, os retalhistas europeus continuam a ser os mais ativos na expansão fora do seu mercado doméstico, tendo realizado perto de 41% do seu volume de negócios em mercados externos, quase o dobro da média do ranking global.

No seu conjunto, as receitas agregadas das 250 maiores empresas de retalho a nível mundial atingiram os 4,4 biliões de dólares no ano fiscal de 2016 (correspondente ao exercício encerrado até junho de 2017), num crescimento de 4,1% face ao ano anterior. A liderar o ranking global continuam a Walmart, Costco Wholesale, The Kroger, Schwarz Group e Walgreens Boots Alliance.

As maiores alterações registam-se nas restantes posições do top 10, devido a uma combinação de fatores que incluem o crescimento orgânico, processos de aquisição e variações na taxa de câmbio. Nesta edição, destaca-se a subida da norte-americana Amazon.com, do 10º para o sexto lugar, com receitas de perto de 100 mil milhões de dólares, e a entrada da CVS Health para o lugar da Tesco, que deixa de estar entre os 10 maiores retalhistas do mundo. O top 10 passa a representar 30,7% da receita total das 250 maiores retalhistas (30,4% no ano passado). “O retalho beneficiou de um clima económico favorável, com a generalidade das principais economias mundiais e emergentes a apresentarem crescimento. O sector enfrenta, contudo, ameaças significativas, como a crescente desigualdade no rendimento das famílias, a possível introdução de medidas protecionistas em mercados como os Estados Unidos e o Reino Unido e o abrandamento das políticas monetárias expansionistas pelos principais bancos centrais”, explica Luís Belo, sócio e líder da indústria de retalho e bens de consumo da Deloitte.

Pela primeira vez em quatro anos, os maiores retalhistas de moda e acessórios não lideram o crescimento das receitas, mas continuam a ser o sector mais rentável. Já os retalhistas alimentares continuam a ser as empresas de maior dimensão, com uma média de receitas de cerca de 21,7 mil milhões de dólares, e com maior representatividade no ranking (135 retalhistas representam mais de metade das 250 maiores empresas e dois terços das receitas agregadas).

O estudo analisou também a forma como as vantagens competitivas neste sector estão a ser redefinidas neste ambiente de acelerada mudança. A inovação, colaboração, integração e automação serão condições essenciais para renovar o comércio, ao influenciarem o modo como os retalhistas operam atualmente e irão operar no futuro. Os retalhistas a nível global estão a adaptar-se ao novo tipo de consumidor, cada vez menos fiel a um só canal, valorizando um processo de compra cada vez mais fluido que alterna entre o online e o offline. Os retalhistas que não acompanharam as tendências do digital estão a tentar recuperar o tempo perdido, investindo fortemente nesta área. As lojas físicas de retalho não vão desaparecer, até porque 90% das vendas mundiais em retalho são ainda feitas nas lojas físicas. Contudo, e para concorrer com a conveniência e a variedade de escolha que é oferecida online, é crucial haver na loja experiências com significado para o cliente e envolvimento com a marca. A Internet das Coisas (IoT - Internet of Things), a inteligência artificial, a realidade aumentada e virtual e a robótica devem estar no radar de todos os retalhistas. “É um momento de transformação para o retalho. Capacitado pela tecnologia, o comprador está claramente no comando, mantendo-se constantemente conectado e estando mais habilitado do que nunca para conduzir a sua jornada de compra onde, quando e como quer”, destaca Pedro Miguel Silva. “Perante a ameaça de disrupção, os retalhistas têm vindo a abraçar o omnicanal como o padrão do processo de compra, dando aos consumidores mais informação, conveniência e variedade nos canais e momentos de contato da sua escolha”.